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	<title>o poder da cultura</title>
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		<title>Cultura é Poder</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Jan 2012 22:51:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonardo Brant</dc:creator>
				<category><![CDATA[1. Cultura é poder]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[domínio]]></category>

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		<description><![CDATA[O que é Cultura? Qual a sua função pública? Existe uma relação direta  entre cultura e desenvolvimento? Podemos pensar em sustentabilidade sem  considerar a questão cultural? Pra que serve uma política cultural?  Qual a sua relação com o mercado? Como o poder público pode intervir na  dinâmica cultural de uma sociedade? [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O que é Cultura? Qual a sua função pública? Existe uma relação direta  entre cultura e desenvolvimento? Podemos pensar em sustentabilidade sem  considerar a questão cultural? Pra que serve uma política cultural?  Qual a sua relação com o mercado? Como o poder público pode intervir na  dinâmica cultural de uma sociedade? Como o artista e o agente cultural  enfrentam os desafios da pós-modernidade?</p>
<p>Entre as muitas respostas possíveis para essas questões, optei por  buscar uma abordagem propositiva, que buscasse imaginar uma nova  percepção da riqueza e importância da cultura como projeto humanista,  que abarcasse também a sua dimensão individual, política e  organizacional. Um ponto de partida para um projeto de nação, para o  desenvolvimento social, para as oportunidades econômicas, mercados  potentes, empresas inovadoras, brasileiros capazes, competentes e  livres.</p>
<p>A intenção é apresentar cultura como domínio, como campo de  apropriação, pública ou privada, e seu manejo pelos diversos agentes  sociais ao longo do nosso processo civilizatório.</p>
<p>A ideia de cultura, sempre moldada conforme as visões políticas de  cada tempo, detém em si as chaves dos sistemas de poder. Chaves que  podem abrir portas para a liberdade, para a equidade e para o diálogo.  Mas também podem fechá-las, cedendo ao controle, à discriminação e à  intolerância.</p>
<p>Da mesma forma que o poeta T.S.Eliot inter-relacionava cultura sob a  ótica do indivíduo, de um grupo e de toda a sociedade, precisamos  compreender cultura como um plasma invisível entrelaçado entre as  dinâmicas sociais, ora como alimento da alma individual, ora como  elemento gregário e político, que liga e significa as relações humanas.  Perceber a presença desse plasma – ou seja, de uma matéria cultural  altamente energizada, reativa e que permeia todo o espaço da sociedade –  é fundamental para a compreensão dos fenômenos do nosso tempo.</p>
<p>Cultura é algo complexo. Não se limita a uma perspectiva artística,  econômica ou social. É a conjugação de todos esses vetores. Daí a sua  importância como projeto de Estado e sua pertinência como investimento  privado. Uma política cultural abrangente, contemporânea e democrática  deve estar atenta às suas várias implicações e dimensões.</p>
<p>A UNESCO, organismo das Nações Unidas destinada a questões de  educação cultura e ciências, define cultura como “um conjunto de  características distintas espirituais, materiais, intelectuais e  afetivas que caracterizam uma sociedade ou um grupo social”. Esse  entendimento abarca, além das artes e das letras, os modos de vida, os  sistemas de valores, as tradições e as crenças.</p>
<p>Sob a luz do conceito de cultura da entidade não seria absurdo  classificar um filme publicitário ou merchandising como uma ação  cultural. Não se trata do investimento no potencial criador do  cidadão/consumidor, mas num determinado conjunto de comportamentos  necessários a reforçar a ideia de incentivar ou potencializar  determinação ação (consumo).</p>
<p>A empresa age para seduzir, ou até mesmo impor, por meio de ação  sistemática e repetida, sua “cultura”, seus valores e códigos. Ou seja,  para consumir determinada marca de cigarro, automóvel, ou calça jeans, é  preciso praticar, ou ao menos identificar-se, com determinados padrões  de conduta.</p>
<p>Levado às últimas consequências, esse sistema traduz-se num processo de  aculturação, baseado na necessidade de destituir o sujeito de valores,  referências e capacidades culturais intrínsecas, em busca de adesão a  algo mais dinâmico, sedutor e com função gregária: o consumo.</p>
<p>A jornalista canadense Naomi Klein aponta em seu livro-manifesto Sem  Logo (2002) os riscos dessa associação. Ela apresenta o branding  (mecanismos empresariais para criar a desenvolver marcas) como um  processo cultural. A autora afirma que as marcas não são produtos,  contudo, são responsáveis pela criação de conceitos, atitudes, valores e  experiências. Portanto, “por que também não podem ser cultura?” Esse  projeto tem sido tão bem sucedido que “os limites, entre os  patrocinadores corporativos e a cultura patrocinada, desapareceram  completamente”, questiona.</p>
<p>Segundo Klein (2002), embora “nem sempre seja a intenção original, o  efeito do branding avançado é empurrar a cultura que a hospeda para o  fundo do palco e fazer da marca a estrela. Isso não é patrocinar  cultura, é ser cultura”.</p>
<p>A serviço das instâncias de poder, sustentadas entre si, como nos dias  de hoje, atuam os sistemas financeiro, governamental e de mídia. A arte  assume uma preocupante função apaziguadora e definidora dos modos de  vida e costumes. Joost Smiers, em Artes sob Pressão (2003), pergunta  “onde os conglomerados culturais podem espalhar suas idéias sobre o que  deve ser a arte, a questão crucial é: as histórias de quem estão sendo  contadas? Por quem? Como são produzidas, disseminadas e recebidas?”</p>
<p>Para Smiers (2003), as obras de arte tornaram-se veículos com  mensagens comerciais e “têm a função de criar um ambiente no qual a  produção do desejo possa acontecer. Esse contexto é freqüentemente cheio  de violência”, diz.</p>
<p>A indústria audiovisual e seu extremo poder de alcance, das salas de  cinema aos lares de todo o planeta, por meio de DVDs, games e websites  interativos, é o melhor exemplo disso, como aponta o Relatório do  Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), de 2004,  intitulado Liberdade Cultural num mundo diversificado. De acordo com o  documento, o comércio mundial de bens culturais – cinema, fotografia,  rádio e televisão, material impresso, literatura, música e artes visuais  – quadruplicou, passando de 95 bilhões de dólares norte-americanos em  1980 para mais de 380 bilhões em 1998. Cerca de quatro quintos desses  fluxos têm origem em 13 países.</p>
<p>Segundo o relatório, Hollywood atinge 2,6 bilhões de pessoas e  Bollywood (indústria de cinema indiano) cerca de 3,6 bilhões. O domínio  de Hollywood é apenas um dos aspectos da disseminação ocidental de  consumo. “Novas tecnologias das comunicações por satélite deram lugar,  na década de 1980, a um novo e poderoso meio de comunicação de alcance  mundial e a redes mundiais de meios de comunicação como a CNN”. O número  de aparelhos de televisão por mil habitantes mais do que duplicou em  todo o mundo, passando de 113, em 1980, para 229, em 1995. Desde então,  aumentou para 243.</p>
<p>O resultado disso é a criação de um padrão de consumo global, com  “adolescentes mundiais” compartilhando uma “única cultura pop mundial,  absorvendo os mesmos vídeos e a mesma música e proporcionando um mercado  enorme para tênis, t-shirts e jeans de marca”, afirma o relatório.</p>
<p>Edgar Morin, em “Cultura e Barbárie Européias”, empresta de Teilhard  de Chardin o termo “noosfera”, para designar o mundo das ideias, dos  espíritos, dos deuses produzidos pelos seres humanos dentro de sua  cultura. “Mesmo sendo produzidos pelo espírito humano, os deuses  adquirem uma vida própria e o poder de dominar os espíritos”. Dessa  forma, diz o filósofo, “a barbárie humana engendra deuses cruéis, que,  por sua vez, incitam os seres humanos à barbárie. Nós modelamos os  deuses que nos modelam”.</p>
<p>Max Weber costumava dizer que o homem está preso a uma teia de  significados que ele mesmo criou. Nesse sentido, assim como Geertz  (1973), também podemos considerar cultura como um conjunto de mecanismos  de controle para governar comportamentos. E a história recente exibe  vários alertas de como as indústrias culturais e os meios de comunicação  de massa podem ser grandes armas disponíveis para acomodar e disseminar  determinados comportamentos. Assim fizeram o nazismo, o fascismo, o  comunismo e as ditaduras militares, sobretudo as latino-americanas, nos  exemplos extremos.</p>
<p>Esse rastro está cada vez mais presente nas sociedades orientadas  para o consumo. Em comum, a ausência do Estado em sua responsabilidade  com a cultura e a diversidade; e o domínio marcante das indústrias  culturais como ponta-de-lança para uma economia global centrada nas  grandes corporações.</p>
<p>A realidade desse cenário precisa ser encarada por toda a sociedade  brasileira, que usufrui os benefícios dessa globalização econômica, mas  ao mesmo tempo se expõe de maneira preocupante aos seus efeitos  colaterais. O país corre risco de virar as costas ao seu grande  potencial da produção cultural e sua vocação para o desenvolvimento de  um poderoso mercado formado pelas próprias manifestações culturais.</p>
<p>Cultura, nesse caso, funciona como uma chave capaz de trancar o  indivíduo em torno de códigos e simbologias controladas: pelo Estado,  por uma religião ou mesmo por corporações e através dos instrumentos  gerados pela sociedade de consumo, como a publicidade, a promoção e o  patrocínio cultural.</p>
<p>Mas essa mesma chave, que oprime o ser humano e desfaz sua  subjetividade, tem o poder de abrir as portas, permitindo ao indivíduo  compreender a si e aos fenômenos da sociedade e do seu próprio estágio  civilizatório, em busca da liberdade. Para isso, basta girá-la para o  lado oposto.</p>
<p>Em Dialética da Colonização (1992), Alfredo Bosi define cultura como o  &#8220;conjunto das práticas, das técnicas, dos símbolos e dos valores que se  devem transmitir às novas gerações para garantir a reprodução de um  estado de coexistência social”. E supõe uma “consciência grupal operosa e  operante que desentranha da vida presente os planos para o futuro”.</p>
<p>A cultura cumpre nesse caso uma função pouco reconhecida e estimulada  nesses tempos: transformar realidades sociais e contribuir para o  desenvolvimento humano em todos os seus aspectos. Algo que identifica o  indivíduo em seu espaço, lugar, época, tornando-o capaz de sociabilizar e  formar espírito crítico.</p>
<p><strong>Origens e dimensões da palavra Cultura</strong></p>
<p>Raymond Williams, autor de Palavras-chave (2007), considera a palavra  culture como uma das duas ou três mais complicadas da língua inglesa,  devido ao seu complexo percurso etimológico.</p>
<p>Em sua acepção mais longínqua, a matriz latina colere trazia o  significado de cultivar, habitar, proteger e honrar com veneração. Desse  radical, podemos reconhecer pelo menos dois desdobramentos: colonus,  que traz a idéia de habitação e cultus, que nos remete a “cultivo ou  cuidado”, bem como seus significados medievais subsidiários: “honra,  adoração”, já “convergidos pela radicalização do temor divino e da moral  na sociedade – personificação do Senhor no feudo”. Mas também couture,  no francês antigo, por exemplo, associados à “lavoura, cuidado com o  crescimento natural”.</p>
<p>Dos séculos XVI ao XVII, segundo Williams, o termo passou a  significar, por analogia, o cuidado com o desenvolvimento humano e o  cultivo das mentes, deixando de se tratar apenas da terra e dos animais.  Desde já destacando uma distinção arbitrária entre os que têm cultura  dos que não têm, o termo assume o caráter de civilidade. Com a expansão  da Europa e seu conseqüente processo de dominação política e econômica, o  poder de distinção entre o culto e o não-culto foi de grande valia para  implementar e manter o colonialismo.</p>
<p>A partir dos séculos XVIII e XIX, o conceito passa a ser utilizado  para designar o próprio estágio civilizatório da humanidade. Johann  Gottfried von Herder escreveu Sobre a filosofia da história para a  educação da humanidade (1784-91): “Nada é mais indeterminado que essa  palavra e nada mais enganoso que sua aplicação a todas as nações e a  todos os períodos”. Argumentava que era necessário grifar culturas, no  plural, pois elas são específicas e variáveis em diferentes nações e  períodos, tanto quanto em relação a grupo sociais e econômicos dentro de  uma nação.</p>
<p>Para Williams, podemos reconhecer três categorias amplas e ativas de  uso do termo: o processo de desenvolvimento intelectual, espiritual e  estético; a referência a um povo, um período, um grupo ou da humanidade  em geral; as obras e as práticas da atividade intelectual,  particularmente a artística, sendo este último o seu sentido mais  difundido: “cultura é música, literatura, pintura, escultura, teatro e  cinema”.</p>
<p>Já o pensador Edgar Morin atribui três dimensões interdependentes à  palavra cultura: a antropológica, ou “tudo aquilo que é construído  socialmente e que os indivíduos aprendem”; a social e histórica, que  pode ser entendida como o “conjunto de hábitos, costumes, crenças,  idéias, valores, mitos que se perpetuam de geração em geração” e a  relacionada às humanidades, que “abrange as artes, as letras e a  filosofia”.</p>
<p>Para Terry Eagleton, no indispensável A ideia de cultura (2002), as  palavras civilização e cultura continuam até hoje a intercambiar-se em  seu uso e significado, sobretudo por antropólogos: “cultura é agora  também quase o oposto de civilidade”. Eagleton (2002) considera curioso  que o termo hoje se aplique mais à compreensão de formas de vida  “selvagens” do que para civilizados. “Mas se ‘cultura’ pode descrever  uma ordem social ‘primitiva’, também pode fornecer a alguém um modo de  idealizar a sua própria.</p>
<p>Tanto para definir algo de domínio próprio de um indivíduo (o  conhecimento adquirido) quanto para o exercício de poder em relação a  grupos sociais distintos (o culto e o não culto, o civilizado e o não  civilizado), o termo é utilizado até hoje como definidor de um campo  simbólico determinado, quase sempre para distinguir ou identificar.</p>
<p>Ações e políticas culturais, constituídas nos campos público e  privado, exercem, inevitavelmente, esse domínio. Como provedor de acesso  a conteúdos, processos e dinâmicas, aguça o espírito crítico e permite a  apropriação, o empoderamento e o protagonismo do cidadão.</p>
<p>Por outro lado, a cultura adquire, cada vez mais, sua corporificação  como ente econômico e instrumento de lazer e entretenimento. Manuseadas  por sociedades contaminadas por um modo de pensar linear e cartesiano,  condicionadas a analisar todos os fenômenos por uma correlação de  causa-efeito, deixa de ser essa matéria que significa e transforma as  relações, para ser mera atividade econômica, estratégica por sua grande  capacidade de gerar recursos, postos de trabalho e economia de escala,  por meio de exploração de propriedade intelectual.</p>
<p>Uma fórmula que exige difusão em massa para ser economicamente  eficaz. E conteúdos de fácil assimilação, para ampliar sua capacidade de  inserção mercadológica. Essa fórmula geralmente exclui diálogos mais  profundos e complexos, desconectando-se de suas raízes culturais e das  dinâmicas locais. Com formatos cada vez mais repetitivos e  pasteurizados, são mais afeitas a uma cultura homogênea, linear,  uníssona, voltada ao consumo.</p>
<p>A falta de dispositivos claros e efetivos para lidar com esse campo  simbólico configura-se como uma das mais graves doenças das sociedades  contemporâneas.</p>
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		<title>Sincretismos</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Jun 2010 00:16:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonardo Brant</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Mesmo após o fim da escravidão e o Estado laico-republicano, o negro  vivia – e vive de certa forma até hoje – sob a condição tácita de  comungar do credo católico. E aprendeu, assim como todo brasileiro  mestiço, a acender uma vela para o santo e outra para o orixá. Ou ainda, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mesmo após o fim da escravidão e o Estado laico-republicano, o negro  vivia – e vive de certa forma até hoje – sob a condição tácita de  comungar do credo católico. E aprendeu, assim como todo brasileiro  mestiço, a acender uma vela para o santo e outra para o orixá. Ou ainda,  no sincretismo mais clássico, a acender uma única vela para um  santo-orixá, com características próprias de duas matrizes, com lógicas e  dinâmicas completamente diversas, quando não antagônicas entre si. <span id="more-275"></span></p>
<p>Essa capacidade própria do brasileiro, mas também presente em outras  sociedades, é um poderoso antídoto contra os efeitos malignos da  globalização. A capacidade de absorção e re-processamento de práticas,  modos e crenças permite, por um lado, o esvaziamento das barreiras  internas contra o avanço da camaleônica cultura do consumo, e, de outro,  a possibilidade de avanço e diálogo com as outras formas de interação,  convivência e expressão presentes na arena global. O que pode significar  a abertura de mercados para as indústrias culturais brasileiras.</p>
<p>Celebrar o sincretismo e a mestiçagem como um traço inerente e  potencializador da cultura brasileira é questão de preservação e  promoção da memória e das tradições. Um exemplo recente disso é o  movimento Mangue-beat em Pernambuco. Ferozmente combatido pelos  defensores da cultura tradicional e do maracatu, pois buscava elementos  de raiz para dialogar com o pop e com a indústria cultural, o movimento  só fez valorizar as tradições e as comunidades que praticam o maracatu  rural, colocando, por exemplo, a cidade de Nazaré da Mata (PE) no mapa  da música contemporânea universal.</p>
<p>Tropicália, bossa-nova e muitos outros movimentos culturais  brasileiros nascidos na indústria do entretenimento, partem desse jeito  brasileiro de ativar e dialogar com o outro, a partir da valorização do  seu próprio referencial simbólico.</p>
<p>Mas como permitir o desenvolvimento artístico e o acesso a esses  mercados a uma camada da população distante do Estado e dos meios de  comunicação?</p>
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		<title>Do-in antropológico</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Jun 2010 00:14:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonardo Brant</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Reconhecer e valorizar as diversas formas de manifestação cultural do  Brasil. Essa é a função da proposta apresentada por Gilberto Gil em seu  discurso de posse, em 2003, como titular da pasta da Cultura. Por  analogia à tradição milenar chinesa, que reconhece e massageia pontos  energéticos em benefício do bem estar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Reconhecer e valorizar as diversas formas de manifestação cultural do  Brasil. Essa é a função da proposta apresentada por Gilberto Gil em seu  discurso de posse, em 2003, como titular da pasta da Cultura. Por  analogia à tradição milenar chinesa, que reconhece e massageia pontos  energéticos em benefício do bem estar do corpo e da mente, o ministro  cunhou uma tradução que representa a complexidade da função política da  cultura. <img title="Mais..." src="http://www.culturaemercado.com.br/wp-includes/js/tinymce/plugins/wordpress/img/trans.gif" alt="" /><span id="more-273"></span></p>
<p>Fortemente inspirado nas proposições de Marilena Chauí e nos  recém-publicados documentos da UNESCO, sobretudo sobre diversidade  cultural e patrimônio imaterial, o do-in antropológico consiste em  universalizar os serviços culturais, com a presença de centros  culturais, bibliotecas e telecentros em todo o país, a começar pelas  regiões mais pobres e distantes; valorizar e dar autonomia para as  diversas formas de manifestação cultural existentes no país, não somente  as institucionalizadas e consagradas pela elite e a indústria cultural;  buscar novas possibilidades de interlocução e diálogo com outras  instâncias da sociedade, por meio de inserção econômica e  desenvolvimento local.</p>
<p>O do-in antropológico prepara ambientes favoráveis à interação de  agentes culturais; o fomento à pesquisa e aos processos criativos; a  atuação e a viabilização das expressões culturais, sua difusão, acesso,  participação e articulação entre todas as esferas da sociedade. Esse  conjunto de fatores busca gerar um círculo virtuoso que garanta o   denvolvimento e a participação de toda a população nessa dinâmica.</p>
<p>Para realizar essas ações, o ministro modificou a estrutura do seu  cabedal administrativo, criando secretarias para desenvolver políticas,  programas e articulação, além de valorizar o patrimônio, o audiovisual e  a diversidade. O programa Cultura Viva, desenvolvido nesse contexto,  visa formar uma rede nacional dessas iniciativas, e é, sem dúvida, a sua  melhor tradução programática, embora também esteja presente em editais e  prêmios de valorização de mestres de cultura popular e de manifestações  culturais de pouca projeção na cultura institucionalizada.</p>
<p>Como responsabilidade de cada cidadão em relação à cultura, o do-in  antropológico pode ir muito além. A localização desses pontos de  convergência, miscigenação e transmutação de realidades é fruto não  somente da presença do Estado.</p>
<p>Deve ser um desafio compartilhado por toda a sociedade em preservar e  promover a Diversidade Cultural.</p>
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		<title>Diversidade Cultural</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Jun 2010 00:12:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonardo Brant</dc:creator>
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		<category><![CDATA[convenção]]></category>
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		<description><![CDATA[A recém-promulgada Convenção sobre a proteção e a promoção da  diversidade das expressões culturais no âmbito da UNESCO é a  consolidação de uma luta histórica contra a homogeneização cultural  promovida por um oligopólio formado por estúdios de Hollywood e seus  grupos empresariais, que reúnem conglomerados de mídia e fabricantes de  [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A recém-promulgada Convenção sobre a proteção e a promoção da  diversidade das expressões culturais no âmbito da UNESCO é a  consolidação de uma luta histórica contra a homogeneização cultural  promovida por um oligopólio formado por estúdios de Hollywood e seus  grupos empresariais, que reúnem conglomerados de mídia e fabricantes de  equipamentos eletrônicos. <img title="Mais..." src="http://www.culturaemercado.com.br/wp-includes/js/tinymce/plugins/wordpress/img/trans.gif" alt="" /> <span id="more-270"></span></p>
<p>Financiados por outros cartéis, como a indústria financeira,  tabagista e alcooleira, essa cultura de consumo favorece setores,  sobretudo o mercado do luxo e da celebridade.</p>
<p>Encampado por organizações socioculturais, produtores independentes  organizados em coalizões e redes por todo mundo, o movimento encontrou  abrigo em países como a França, Canadá, Suécia e Brasil, que sentem os  efeitos do estrangulamento cada vez mais visível de suas culturas  locais, com o domínio dos meios de comunicação e difusão cultural nas  mãos desses conglomerados multinacionais.</p>
<p>A Convenção consolida outras pautas urgentes das sociedades  contemporâneas, como a cultura de paz e o respeito das diferenças  culturais, a sobrevivência das culturas autóctones, suas formas de vida,  fazeres, economias e línguas, em oposição a um projeto global único,  que pretende incluir todos os habitantes economicamente ativos do  planeta, com metas de crescimento cada vez mais elevadas.</p>
<p>Nesse cenário, torna-se urgente a composição de um cenário positivo e  fértil para tratar do assunto, como uma das grandes pautas sociais do  novo milênio, oferecendo subsídios concretos para apropriação de um  glossário fundamental para a construção e consolidação de democracias  multiculturais.</p>
<p>Seu valor simbólico no âmbito da UNESCO pode ser medido pela votação  para a promulgação da Convenção, em 2005. Com 151 votos a favor e apenas  2 contra (Estados Unidos e Israel), associou-se de maneira definitiva  como peça de resistência ao imperialismo norte-americano e sua  irresponsabilidade bélica e midiática.</p>
<p>O documento passou a ser utilizado pelos diversos organismos e  segmentos em busca de maior equidade nas trocas internacionais, assim  como nos países-membros, que ratificaram a Convenção em sua legislação  interna. O Brasil o fez em dezembro de 2006.</p>
<p>Isso significa um compromisso do país com o estabelecimento de  políticas concretas de preservação e promoção da diversidade. Traduzido  para as políticas internas pelo então Ministro da Cultura, Gilberto Gil,  como do-in  antropológico, essas políticas visavam massagear as  dinâmicas culturais já existentes por todos os pontos de ressonância do  país.</p>
<p>Para efetivar uma plataforma pública, abrangente e democrática, é  preciso praticar o do-in antropológico, auto- massageando o corpo  cultural, celebrar a diversidade, promover o sincretismo, estimular a  auto-representação, valorizar as identidades, participar da Cidadania  Cultural e garantir os direitos culturais a todos os cidadãos.</p>
<p>Não podemos, no entanto, enxergar como uma receita fechada, mas  considerá-la uma sistematização prática de elementos emergentes da nossa  realidade cultural. Como um plano propositivo para visualizarmos novos  efeitos de mundo, baseados em resultados consistentes e processos  enriquecedores para a sociedade brasileira.</p>
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		<title>Investimento Cultural Privado</title>
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		<pubDate>Fri, 21 May 2010 17:29:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonardo Brant</dc:creator>
				<category><![CDATA[6. O poder da política]]></category>
		<category><![CDATA[4. O poder do mercado]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[financiamento]]></category>
		<category><![CDATA[mecenato]]></category>

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		<description><![CDATA[As corporações precisam criar novas perspectivas e dimensões capazes  de aprimorar seu relacionamento com a sociedade e com os mercados. A  cultura, a ética e a sustentabilidade precisam ser dissecadas muito além  das visões  departamentais e dos discursos prontos, porém vazios.  Investimentos em empreendimentos socioculturais e cidadania corporativa  devem ser [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As corporações precisam criar novas perspectivas e dimensões capazes  de aprimorar seu relacionamento com a sociedade e com os mercados. A  cultura, a ética e a sustentabilidade precisam ser dissecadas muito além  das visões  departamentais e dos discursos prontos, porém vazios.  Investimentos em empreendimentos socioculturais e cidadania corporativa  devem ser entendidos como inteligências para a configuração de ações e  relações orgânicas, conscientes e efetivas com a sociedade. <span id="more-258"></span></p>
<p>Este estudo pretende formular uma terceira via, capaz de abarcar a  confluência de interesses público e privado numa sociedade cada vez mais  pautada pelo consumo e pela voracidade dos mercados. A proposta  apresentada não visa esconder ou dissimular os interesses privados das  empresas, tampouco minimiza as fragilidades da gestão pública da cultura  e da fragmentação da sociedade civil, alheia e distante dos processos  de participação e construção da nossa recém conquistada democracia.</p>
<p>A relação das empresas com a cultura não está restrita à maneira como  se desenvolve o seu mecenato empresarial. Deve incluir todas as  relações humanas num ambiente organizacional, as dinâmicas de  convivência com as  comunidades onde se faz presente e a  corresponsabilidade pelo desenvolvimento cultural da sociedade onde  desenvolve suas atividades mercantis.</p>
<p>A partir das considerações apresentadas, é possível propor uma série  de apontamentos em torno de práticas  empresariais. Desse modo, atuar em  cultura com responsabilidade pode significar:</p>
<ul>
<li>A preservação e a promoção da diversidade cultural a partir de  práticas culturais de cada indivíduo, grupo social ou território.</li>
<li>O respeito e a celebração das capacidades locais, desenvolvendo, a  partir do diálogo, mecanismos próprios para o aprimoramento dessas  práticas.</li>
<li>A valorização das ações culturais como forma de garantir a  autoestima e a capacidade de expressão de todos os  cidadãos.</li>
<li>A garantia do protagonismo das pessoas envolvidas no processo  cultural.</li>
<li>A busca do diálogo e associação das ações com as políticas públicas  existentes.</li>
</ul>
<p>A relação entre uma empresa e a ação cultural incentivada deve  extrapolar a mera busca de visibilidade. Nessa situação, os sistemas de  aferição quantitativos de audiência e exposição reforçam a falsa  sensação de que produtos culturais de alto valor educativo têm menor  valor comercial, pois seu apelo tende a ser reduzido.</p>
<p>A análise do objeto de investimento deve levar em conta fatores mais  abrangentes como:</p>
<ul>
<li>Riqueza e profundidade da pesquisa estética e de linguagem.</li>
<li>Qualidade e profundidade da experiência cultural.</li>
<li>Vínculo identitário em relação à memória e à formação cultural do  ambiente social onde está inserido.</li>
<li>Credibilidade dos agentes envolvidos.</li>
<li>Independência e liberdade de criação e expressão em relação às  instâncias de poder (governos, grupos empresariais, mídias  tradicionais).</li>
<li>Resíduo e capacidade de continuidade da ação a partir do  investimento.</li>
<li>Condição e capacidade de sustentabilidade da ação cultural.</li>
</ul>
<p>Precisamos reconhecer e valorizar a Cultura como elemento fundamental  para o desenvolvimento humano e social. Compreende o compromisso de  todo cidadão com todas as formas de vida como condição indispensável e  indissociável para a sua própria evolução. E trabalha pela construção de  um novo sentido público para a cultura, mais abrangente e  contemporâneo, capaz de lidar com a compreensão dos fenômenos e   contradições da pós-modernidade.</p>
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		<title>Cultura e Desenvolvimento</title>
		<link>http://opoderdacultura.com.br/2010/05/cultura-e-desenvolvimento-2/</link>
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		<pubDate>Fri, 21 May 2010 17:27:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonardo Brant</dc:creator>
				<category><![CDATA[6. O poder da política]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[diversidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Para se tornar efetivo como instância de representação e regulação da  sociedade, o Estado precisa inserir a cultura em sua agenda  prioritária, não somente pelas inúmeras oportunidades que ela representa  como instrumento de um projeto de desenvolvimento baseado nos valores  humanos, mas, sobretudo, por sua capacidade de ativar os organismos de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para se tornar efetivo como instância de representação e regulação da  sociedade, o Estado precisa inserir a cultura em sua agenda  prioritária, não somente pelas inúmeras oportunidades que ela representa  como instrumento de um projeto de desenvolvimento baseado nos valores  humanos, mas, sobretudo, por sua capacidade de ativar os organismos de  participação social. Para isso, deve reconhecer e estimular a  diversidade como elemento de configuração de uma sociedade plural e  participativa. <span id="more-256"></span></p>
<p>A ideia é ativar a capacidade de ação de governantes e agentes da  sociedade civil organizada em torno de uma nova função política para a  cultura, superando o aspecto de domínio e forja de uma condição  civilizatória determinada, para uma funcionalidade transformadora, de  compreensão da própria realidade social, superando e experimentando  novos processos de convivência e diálogo entre realidades diferentes e,  às vezes, conflituosas.</p>
<p>Na mesma direção, precisamos deixar de pensar a educação como uma  forma direta e linear de acesso ao mercado, para pensarmos na autonomia e  na capacidade de expressão do ser humano, cada vez mais subtraído de  sua subjetividade.</p>
<p>Faz-se necessária, portanto, certa insubordinação da cultura em  relação aos demais elementos e instrumentos de construção do bem estar  social. Em tempos de soberania absoluta dos mercados e do aspecto  macroeconômico, precisamos pensar uma reinversão de valores, colocando o  humano em primeiro lugar, e a economia a serviço da coexistência de  todas as formas de vida de nosso planeta.</p>
<p>Torna-se pertinente pensarmos em novos modelos, capazes de orientar  uma relação de compromisso e responsabilidade de todos os agentes  envolvidos com a importância estratégica da cultura.</p>
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		<title>Financiamento à cultura</title>
		<link>http://opoderdacultura.com.br/2010/04/financiamento-a-cultura/</link>
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		<pubDate>Fri, 23 Apr 2010 13:37:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonardo Brant</dc:creator>
				<category><![CDATA[6. O poder da política]]></category>
		<category><![CDATA[cultural]]></category>
		<category><![CDATA[empreendedorismo]]></category>
		<category><![CDATA[financiamento]]></category>
		<category><![CDATA[infraestrutura]]></category>

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		<description><![CDATA[O financiamento público de cultura deve abarcar diferentes dimensões  de uma política cultural, com instrumentos adequados para cada tipo  necessidade. A base da pirâmide é a infraestrutura, necessária para o  desenvolvimento de todas as outras funções. No topo, a indústria  cultural. 
Todo o investimento que visa garantir os direitos culturais ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O financiamento público de cultura deve abarcar diferentes dimensões  de uma política cultural, com instrumentos adequados para cada tipo  necessidade. A base da pirâmide é a infraestrutura, necessária para o  desenvolvimento de todas as outras funções. No topo, a indústria  cultural. <img title="Mais..." src="http://www.culturaemercado.com.br/wp-includes/js/tinymce/plugins/wordpress/img/trans.gif" alt="" /></p>
<p>Todo o investimento que visa garantir os direitos culturais ao  cidadão é responsabilidade constitucional do Estado. Isso inclui criar e  manter equipamentos culturais, valorizar o patrimônio, formar e  informar o cidadão, além de oferecer acesso à tecnologia de informação e  comunicação.</p>
<p>Assim como o fluxo econômico depende de infra-estrutura viária e  energética, o país precisa de um investimento de base que desenvolva o  fluxo simbólico. O potencial simbólico de um povo e de uma nação está  intimamente ligado sua capacidade de desenvolvimento artístico,  estético, de linguagem e de mercado.</p>
<p>O Brasil precisa desenvolver fundos públicos autônomos, qualificados e  com orçamento para lidar com essa  emergência. O fomento não pode estar  à mercê do mercado, tampouco sujeito às intempéries do governante de  plantão.</p>
<p>Há uma grande concentração de iniciativas localizada entre o  experimentalismo e a indústria. Nosso modelo de  financiamento precisa  incentivar o empreendedorismo, possibilitando o diálogo com o mercado,  ao mesmo tempo que  se pensa e se estruture como atividade  artístico-cultural. Os mecanismos de mecenato, já existentes e  consolidados, precisam se readequar para atender a essa imensa demanda.</p>
<p>As indústrias culturais estão entre os setores econômicos que mais  crescem no mundo, auxiliando na exportação de produtos brasileiros,  gerando empregos e recolhimento de impostos. Elas necessitam de  incentivo direto para ampliar sua capacidade operacional, como redução  da carga tributária ou concessão de empréstimos subvencionados.</p>
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		<title>Cultura e Comunidade</title>
		<link>http://opoderdacultura.com.br/2010/03/cultura-e-comunidade/</link>
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		<pubDate>Mon, 22 Mar 2010 02:40:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonardo Brant</dc:creator>
				<category><![CDATA[2. O poder da sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[1. Cultura é poder]]></category>
		<category><![CDATA[3. O poder do estado]]></category>
		<category><![CDATA[comunidade]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[globalização]]></category>
		<category><![CDATA[identidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Identidade é conceito-chave na construção de políticas culturais. Além de dar sentido a um território cultural, reúne dentro de si elementos simbólicos compartilhados entre um grupo de tal modo a garantir a sua soberania como nação.
Segundo Teixeira Coelho (1997), “tratava-se de encontrar os traços dessa identidade e de preservá-los estimulando sua reprodução por intermédio de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Identidade é conceito-chave na construção de políticas culturais. Além de dar sentido a um território cultural, reúne dentro de si elementos simbólicos compartilhados entre um grupo de tal modo a garantir a sua soberania como nação.</p>
<p>Segundo Teixeira Coelho (1997), “tratava-se de encontrar os traços dessa identidade e de preservá-los estimulando sua reprodução por intermédio de programas de ação cultural e de políticas de comunicação de massa de que resultaram as redes nacionais de televisão”.</p>
<p>A identidade cultural de um povo é geralmente reconhecida por seus elementos unificadores, como território, língua e religião. Tratar do assunto sob o ponto de vista das políticas públicas de cultura torna-se cada vez mais complexo e espinhoso. Geralmente atrelado ao nacionalismo e utilizado como política de Estados concentradores, o conceito passou a ser visto com certa ressalva por formuladores e pesquisadores contemporâneos.</p>
<p>A construção do sentido de nação significa, para Zygmunt Bauman, a negação de diversificação étnica e cultural. Os processos civilizadores presididos e monitorados pelo poder do Estado apagam os resquícios de traços culturais do passado. A nacionalidade desempenha um papel de legitimação na unificação política do Estado, “e a invocação das raízes comuns e de um caráter comum deveria ser importante instrumento de mobilização ideológica – a produção de lealdade e obediência patrióticas”.</p>
<p>A cultura, cada vez mais homogeneizada, resulta de um certo hibridismo cultural da sociedade global, capaz de agir com a mesma intensidade e força de comando em sociedades tão distintas quanto o Brasil e o Iraque, por exemplo. Nesse ambiente global, a questão da identidade assume outras características.</p>
<p>Para Bauman, o aumento da rede de dependências adquire com rapidez um âmbito mundial, gerando desenvolvimento desigual da economia, da política e da cultura. “O poder, enquanto incorporado na circulação mundial do capital e da informação, torna-se extraterritorial, enquanto as instituições políticas existentes permanecem, como antes, locais. Isso leva inevitavelmente ao enfraquecimento do Estado-nação”. Como consequência disso, “os governos dos Estados têm de abrir mão do controle dos processos econômicos e culturais, e entregá-los às ‘forças do mercado’”.</p>
<p>No plano individual, identidade é condição de cidadania, de conquista de direitos e ciência de deveres. E se a sociedade lhe garante acesso aos conteúdos diversos e liberdade de expressão, isso pode significar a construção da própria subjetividade, por meio do reconhecimento e valorização dos fatores constitutivos da sua herança cultural, assim como a possibilidade de identificação com outras culturas e modos de vida ao seu redor.</p>
<p>Por outro lado, a globalização deveria potencializar o processo de construção e consolidação de uma identidade própria, legitimada por escolhas e vínculos de herança. Isso se for garantido ao cidadão o acesso irrestrito e não mediado por mecanismos de domínio e controle, a conteúdos de todas as culturas. Em diálogo e contraposição<br />
com os seus próprios referenciais, o indivíduo exerce de maneira mais clara e rica a construção e o exercício da sua subjetividade. Mas como conseguir isso nos dias de hoje?</p>
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		<item>
		<title>Origens e dimensões da palavra Cultura</title>
		<link>http://opoderdacultura.com.br/2009/10/origens-e-dimensoes-da-palavra-cultura/</link>
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		<pubDate>Tue, 20 Oct 2009 14:13:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonardo Brant</dc:creator>
				<category><![CDATA[1. Cultura é poder]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[domínio]]></category>

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		<description><![CDATA[
Raymond Williams, autor de Palavras-chave (2007), considera a palavra culture como uma das duas ou três mais complicadas da língua inglesa, devido ao seu complexo percurso etimológico. Em sua acepção mais longínqua, a matriz latina colere trazia o significado de cultivar, habitar, proteger e honrar com veneração. Desse radical, podemos reconhecer pelo menos dois desdobramentos: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-29" title="RZ1" src="http://opoderdacultura.com.br/wp-content/uploads/2009/10/RZ1.jpg" alt="RZ1" width="580" height="380" /></p>
<p>Raymond Williams, autor de Palavras-chave (2007), considera a palavra <em>culture</em> como uma das duas ou três mais complicadas da língua inglesa, devido ao seu complexo percurso etimológico. Em sua acepção mais longínqua, a matriz latina colere trazia o significado de cultivar, habitar, proteger e honrar com veneração. Desse radical, podemos reconhecer pelo menos dois desdobramentos: colonus, que traz a idéia de habitação e cultus, que nos remete a “cultivo ou cuidado”, bem como seus significados medievais subsidiários: “honra, adoração”, já “convergidos pela radicalização do temor divino e da moral na sociedade – personificação do Senhor no feudo”. Mas também couture, no francês antigo, por exemplo, associados à “lavoura, cuidado com o crescimento natural”.</p>
<p>Dos séculos XVI ao XVII, segundo Williams, o termo passou a significar, por analogia, o cuidado com o desenvolvimento humano e o cultivo das mentes, deixando de se tratar apenas da terra e dos animais. Desde já destacando uma distinção arbitrária entre os que têm cultura dos que não têm, o termo assume o caráter de civilidade. Com a expansão da Europa e seu conseqüente processo de dominação política e econômica, o poder de distinção entre o culto e o não-culto foi de grande valia para implementar e manter o colonialismo.</p>
<p>A partir dos séculos XVIII e XIX, o conceito passa a ser utilizado para designar o próprio estágio civilizatório da humanidade. Johann Gottfried von Herder escreveu Sobre a filosofia da história para a educação da humanidade (1784-91): “Nada é mais indeterminado que essa palavra e nada mais enganoso que sua aplicação a todas as nações e a todos os períodos”. Argumentava que era necessário grifar culturas, no plural, pois elas são específicas e variáveis em diferentes nações e períodos, tanto quanto em relação a grupo sociais e econômicos dentro de uma nação.</p>
<p>Para Williams, podemos reconhecer três categorias amplas e ativas de uso do termo: o processo de desenvolvimento intelectual, espiritual e estético; a referência a um povo, um período, um grupo ou da humanidade em geral; as obras e as práticas da atividade intelectual, particularmente a artística, sendo este último o seu sentido mais difundido: “cultura é música, literatura, pintura, escultura, teatro e cinema”.</p>
<p>Já o pensador Edgar Morin atribui três dimensões interdependentes à palavra cultura: a antropológica, ou “tudo aquilo que é construído socialmente e que os indivíduos aprendem”; a social e histórica, que pode ser entendida como o “conjunto de hábitos, costumes, crenças, idéias, valores, mitos que se perpetuam de geração em geração” e a relacionada às humanidades, que “abrange as artes, as letras e a filosofia”.</p>
<p>Para Terry Eagleton, no indispensável A idéia de cultura (2002), as palavras civilização e cultura continuam até hoje a intercambiar-se em seu uso e significado, sobretudo por antropólogos: “cultura é agora também quase o oposto de civilidade”. Eagleton (2002) considera curioso que o termo hoje se aplique mais à compreensão de formas de vida “selvagens” do que para civilizados. “Mas se ‘cultura’ pode descrever uma ordem social ‘primitiva’, também pode fornecer a alguém um modo de idealizar a sua própria.</p>
<p>Tanto para definir algo de domínio próprio de um indivíduo (o conhecimento adquirido) quanto para o exercício de poder em relação a grupos sociais distintos (o culto e o não culto, o civilizado e o não civilizado), o termo é utilizado até hoje como definidor de um campo simbólico determinado, quase sempre para distinguir ou identificar.</p>
<p>Ações e políticas culturais, constituídas nos campos público e privado, exercem, inevitavelmente, esse domínio. Como provedor de acesso a conteúdos, processos e dinâmicas, aguça o espírito crítico e permite a apropriação, o empoderamento e o protagonismo do cidadão.</p>
<p>Por outro lado, a cultura adquire, cada vez mais, sua corporificação como ente econômico e instrumento de lazer e entretenimento. Manuseadas por sociedades contaminadas por um modo de pensar linear e cartesiano, condicionadas a analisar todos os fenômenos por uma correlação de causa-efeito, deixa de ser essa matéria que significa e transforma as relações, para ser mera atividade econômica, estratégica por sua grande capacidade de gerar recursos, postos de trabalho e economia de escala, por meio de exploração de propriedade intelectual.</p>
<p>Uma fórmula que exige difusão em massa para ser economicamente eficaz. E conteúdos de fácil assimilação, para ampliar sua capacidade de inserção mercadológica. Essa fórmula geralmente exclui diálogos mais profundos e complexos, desconectando-se de suas raízes culturais e das dinâmicas locais. Com formatos cada vez mais repetitivos e pasteurizados, são mais afeitas a uma cultura homogênea, linear, uníssona, voltada ao consumo.</p>
<p>A falta de dispositivos claros e efetivos para lidar com esse campo simbólico é uma das mais graves doenças das sociedades contemporâneas.</p>
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		<title>A democracia radical das redes socioculturais</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Oct 2009 06:05:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonardo Brant</dc:creator>
				<category><![CDATA[2. O poder da sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[redes]]></category>

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A formação de redes socioculturais demonstra ser um caminho inteligente para a conquista da cidadania cultural. Essas redes caracterizam-se por propiciar um ambiente de discussão e de participação baseados na autonomia e na integridade de seus membros. Todos partilham ambientes livres e rizomáticos, dificultando o estabelecimento de sistemas de poder, controle e domínio centralizados sobre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-124" title="culturatesteS" src="http://opoderdacultura.com.br/wp-content/uploads/2009/10/culturatesteS.jpg" alt="culturatesteS" width="580" height="361" /><br />
A formação de redes socioculturais demonstra ser um caminho inteligente para a conquista da cidadania cultural. Essas redes caracterizam-se por propiciar um ambiente de discussão e de participação baseados na autonomia e na integridade de seus membros. Todos partilham ambientes livres e rizomáticos, dificultando o estabelecimento de sistemas de poder, controle e domínio centralizados sobre os conteúdos e trocas.</p>
<p>A apropriação coletiva e a construção colaborativa de conhecimento são características marcantes dessas redes, formadas a partir da identificação de seus agentes com os temas, oferecendo possibilidades de troca e diálogo pelas vias tradicionais, mas, sobretudo, a partir de ferramentas digitais e a Internet.</p>
<p>Uma nova possibilidade de democracia radical e direta forma-se nesse momento na web, por meio de blogs, mecanismos de rede, sistemas de troca de conteúdos culturais, permitindo o remix e novas formas de expressão, interação e participação política. Um movimento espontâneo da sociedade que evidencia a demanda por Cidadania Cultural.</p>
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